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Adaptação local é a estratégia de exportação da maioria dos empresários

Gestores nacionais preferem contratar recursos humanos localmente e adaptar o produto que vendem consoante o mercado em que entram

João Oliveira

A entrada num novo mercado pode ser um processo moroso, desde a avaliação do país em que se pretende entrar até à contratação de novos recursos humanos e às alterações no produto que se pretende vender lá fora. Em média, 28% das empresas leva meio ano a avaliar um novo mercado. Outros 23% demoram um ano ou mais e só 11% demora apenas um mês.

Das empresas que exportam, a maioria (39%) prefere contratar talentos localmente para integrarem os quadros dos recursos humanos. No que diz respeito ao produto, a 'adaptação local' é o caminho escolhido por mais de metade (52%) dos empresários. Uma estratégia unânime entre os vários sectores, à exceção da Agricultura, Pecuária e Pesca. Quanto ao marketing da firma e dos seus produtos, a existência 'de uma marca Portugal' é a estratégia eleita por 23% dos empresários.

Em entrevista ao Expresso, Rui Miguel Nabeiro deu a sua perspectiva quanto ao tema da internacionalização. "Não acredito que exista um modelo certo ou errado para exportar", diz o responsável pela Delta Q do Grupo Delta. Com a marca presente em mais de 35 países, o gestor afirma que "é preciso conhecer todos os matizes que regulam um país em a partir daí, escolher a estratégia que melhor se adapta à empresa". E exemplifica: "Na Delta temos diferentes abordagens consoante o mercado. Em países como Angola e Espanha investimos diretamente, e em países como a China associámo-nos a um parceiro para a distribuição".

Relativamente à divulgação da companhia, "tudo depende da capacidade que a empresa tem em aumentar os seus índices de notoriedade", explica Rui Miguel Nabeiro. O gestor alerta, no entanto, que "o investimento em publicidade não significa necessariamente mais notoriedade. Creio que tudo advém do trabalho contínuo que se faz nos pontos de venda e na inovação".

Quanto ao produto, o empresário diz que "tudo funciona à base de testes e mais testes. É preciso conhecer os hábitos de consumo do destino em que se pretende entrar" e dá o exemplo: "Temos produtos que funcionam apenas num mercado, logo, é necessário ter o produto certo para o mercado certo".

Artigo originalmente publicado no site do Expresso a 9 de novembro de 2014